Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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Livro revisita perdas e sobrevivências durante a epidemia de HIV no Brasil

Em “Indetectável”, Celsim P.S. reúne a memória do irmão Dionísio e a transformação do tratamento da aids.

Livro revisita perdas e sobrevivências durante a epidemia de HIV no Brasil

A epidemia de HIV atravessa as cartas e as lembranças de Celsim P.S. em Indetectável, livro em que a autora revisita a juventude, as perdas na comunidade LGBTI+ e a chegada dos antirretrovirais que mudaram o tratamento da aids.

A narrativa começa com uma carta de Dionísio, irmão de Celsim, escrita em 7 de novembro de 1994. Internado, ele conta que cancelou uma apresentação na Alemanha, passa longos períodos dormindo e teme morrer sozinho. A carta é dirigida a Celso, nome usado por Dionísio ao se despedir: “Te amarei eternamente, e ainda depois”.

No texto, Dionísio recorda momentos vividos com o irmão, como uma ida a Niterói, no Rio de Janeiro, e uma canção de Brecht e Weill. Também fala da mãe, que adoeceu enquanto cuidava dele, e do medo de profissionais do hospital em relação à aids. A irmã e amigas se revezam para que ele não ficasse sozinho.

A carta relida no futuro

Em São Paulo, 13 de dezembro de 2024, Celsim responde ao irmão a partir de uma lembrança de fevereiro de 2017, quando recebeu pelo SUS o remédio que desejava tomar desde 1984. Durante uma semana, olhou para o frasco sem conseguir ingerir a pílula. Chorou, falou com Dionísio e pediu desculpas.

Depois, releu a última carta, abriu o frasco e tomou o antirretroviral. A autora descreve o medicamento como aquilo que tornaria seu corpo “quimicamente impenetrável para o HIV”. Na reflexão, afirma que a aids, antes fatal, passou a ser uma doença crônica e controlável.

Celsim conta que conheceu Dionísio em 1987 e que ele morreu em 1994. O irmão morreu dois anos antes do surgimento dos primeiros antirretrovirais da nova geração. A experiência deixou um vazio, enquanto a doença também atravessava a vida de pessoas mais velhas e de outros jovens.

Memória de uma geração

Entre 1985 e os anos seguintes, Celsim acompanhou dezenas de enterros: amigos, alunos, namorados de amigos e pessoas próximas, todas vítimas da aids. A autora relata que, aos dezoito anos, já havia enterrado um aluno da mesma idade. Para ela, foi um massacre.

O livro nasce do desejo de escrever o que chama de desmassacre: preservar uma história que não deve ser esquecida nem julgada. As cartas aparecem como ponto de partida para falar de arte, imaginação, corpo, amor e da vida em um período marcado pela falta de esperança.

Indetectável, de Celsim P.S., tem 312 páginas.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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