O presidente argentino Javier Milei anunciou, em 3 de setembro de 2026, sanções contra empresas petrolíferas envolvidas no projeto Sea Lion, voltado à exploração de petróleo nas Malvinas. Em cadeia de rádio e TV, ele afirmou que as ilhas são “histórica e legalmente” argentinas.
O governo argentino considera a exploração ilegal porque ela ocorreria em águas da plataforma continental do país sem autorização de Buenos Aires. A medida foi anunciada em um cenário de estagnação econômica, popularidade em baixa e inflação persistente, após o ajuste fiscal promovido no início do mandato de Milei, chamado de “Plano Motoserra”.
A disputa tem origem em conflitos coloniais entre Espanha, França e Reino Unido pela posse do arquipélago, situado a cerca de 500 km do litoral argentino. Em 1833, forças navais do Império Britânico tomaram as ilhas e impuseram sua soberania. Na Argentina, a reivindicação é apresentada como uma luta anticolonial.
A guerra e o uso político da causa
Em 2 de abril de 1982, tropas argentinas desembarcaram nas Malvinas por ordem do então ditador Leopoldo Galtieri. A iniciativa ocorreu durante a ditadura argentina, que durou de 1976 a 1983 e enfrentava crise econômica e insatisfação crescente. Após a derrota para as forças britânicas, em 14 de junho de 1982, a guerra acelerou o fim do regime.
A declaração de Milei ocorreu no mesmo dia em que Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e apontado como seu mentor, disse ao canal britânico GB News que estava revendo a posição da Casa Branca sobre as Malvinas. Trump afirmou que poderia não apoiar o Reino Unido em uma nova disputa com a Argentina, em razão da falta de apoio britânico à guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
Em 4 de setembro, por volta das 21h58, no horário de Brasília, a rádio Mitre, de Buenos Aires, ouviu Julio Pedro Vázquez, veterano da Guerra das Malvinas. Ao comentar a faixa “As Malvinas são argentinas”, exibida pela seleção argentina durante a Copa do Mundo, Vázquez agradeceu a Milei, mas também disse: “Después te critico, después te critico, porque tengo cosas para criticarle”.
No dia 5 de setembro, às 18h27, o apresentador da Rádio 10 afirmou que o governo se apega à causa das Malvinas por enxergá-la como uma força unificadora. Ele ressaltou, porém, que não comparava Milei a Galtieri porque o atual presidente foi eleito democraticamente.
Carlos Latuff avalia que a iniciativa pode ser uma tentativa de obter apoio popular, em paralelo ao uso da causa feito por Galtieri. Ele também lembra que Milei elogiou Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica durante a Guerra das Malvinas, em uma entrevista à BBC realizada em 2024.







