Juiz de Fora, Sábado, 3 de outubro de 2026
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PF investiga paradeiro de R$ 6,2 milhões recebidos por associação ligada a filme sobre Bolsonaro

Relatórios apontam repasses à Academia Nacional de Cultura, mas a movimentação financeira declarada pela entidade é menor.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal investiga o destino de R$ 6.175.273,64 recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), associação presidida por Karina Ferreira Gama, que também é dona da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

Os valores foram transferidos à ANC entre julho de 2024 e dezembro de 2025 por quatro empresas que, no mesmo período, receberam recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à mesma empresária. As informações constam em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

A movimentação registrada formalmente pela associação é inferior ao montante identificado nas comunicações financeiras de terceiros. Entre maio de 2025 e maio de 2026, a ANC declarou R$ 1,1 milhão em operações, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Para os investigadores, a diferença pode indicar a existência de outras contas bancárias não informadas ao Coaf. “Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC”, afirma o documento, que também registra a hipótese de a entidade possuir outra conta.

Recursos públicos e financiamento do filme

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação realizada na quinta-feira (10) para apurar o financiamento de “Dark Horse”. A investigação busca esclarecer se, além de recursos privados, verbas públicas foram usadas na produção.

O caso ganhou força depois que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou ter pedido dinheiro a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme sobre o pai. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

A apuração também alcança recursos federais vinculados a emendas do deputado Mario Frias (PL-SP) e verbas municipais da Prefeitura de São Paulo. O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e R$ 108 milhões em um contrato com a prefeitura para instalar pontos de wi-fi.

A suspeita é que parte desse dinheiro tenha circulado por empresas e entidades ligadas a Karina Gama, entre elas a ANC e a Go Up Entertainment. A Polícia Civil de São Paulo apura ainda se o ICB usou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas com recursos municipais.

A ANC também recebeu R$ 2,6 milhões em emendas destinadas a uma série sobre heróis nacionais. Os recursos foram indicados por Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Enviados em 2024 por meio de emenda Pix ao governo de São Paulo, os valores tinham a associação como destino final.

A PF informou, porém, que as emendas de Bia Kicis e Marcos Pollon não foram transferidas pelo governo paulista à ANC por problemas normativos e técnicos na formalização da parceria. Em 2025, Gil Diniz (PL) destinou outros R$ 200 mil à série documental, pagos em agosto daquele ano.

Outra linha de apuração verifica se parte dos recursos pagos por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para despesas de Eduardo Bolsonaro, que busca apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

Defesa de Karina Gama

A defesa de Karina Gama declarou, no dia da operação, que ela colaborava de forma voluntária com as autoridades. Os advogados disseram que a empresária entregou mais de 20 mil laudas de documentos e negaram a prática de irregularidades.

Neste domingo (13), a defesa avaliou como positiva a retirada do sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo. Em nota, afirmou que Karina Gama sustenta não ter cometido ilícito e que a divulgação dos fatos deverá demonstrar sua inocência.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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