RIO DE JANEIRO — A Polícia Federal investiga benefícios que teriam sido obtidos pelo ex-governador Cláudio Castro em sua relação com Ricardo Magro, dono da antiga Refinaria de Manguinhos e empresário do grupo Refit. Entre os gastos citados estão caviar, a construção de uma adega e reformas de imóveis usados por Castro.
O sigilo do inquérito foi retirado por Alexandre de Moraes, ministro relator do caso no Supremo Tribunal Federal. A decisão também autorizou uma segunda busca e apreensão contra o ex-governador neste ano. Para os investigadores, os pagamentos estariam ligados a fraudes que favoreceram a atuação do grupo empresarial.
O relatório afirma que a ligação entre Castro e a Refit não se restringia a contatos formais e aponta a existência de um canal direto com Magro e representantes da empresa. Em uma mensagem enviada em maio de 2025, Castro chamou o empresário de amigo: “Aqui você tem um amigo. Saiba disso”.
Benefícios citados no inquérito
Um mês depois de deixar o governo do Rio, Castro teria pedido a um representante da Refit diferentes tipos e quantidades de caviar. Os pedidos somaram R$ 10.500,00, e a entrega foi feita em um hotel de luxo em São Paulo. A investigação inclui um comprovante de pagamento por Pix realizado por uma empresa de Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo.
Antonio Carlos foi assessor de Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Brazão foi condenado como mandante do assassinato da vereadora Marielle Franco. A PF descreve Pipo como uma figura central no esquema de lavagem de dinheiro investigado no governo do Rio.
Também aparecem no relatório a construção de uma adega avaliada em R$ 245 mil na casa de Castro em Petrópolis e a reforma de uma cobertura na Barra da Tijuca, onde ele mora. Segundo os investigadores, o ex-governador acompanhou de perto as obras nos imóveis que ocupava por meio de contratos de aluguel.
Situação da Refit e defesa
Na segunda-feira (31), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro decretou a falência das empresas do grupo Refit. Durante quase dez anos de recuperação judicial, o passivo fiscal do grupo subiu de cerca de R$ 5 bilhões para aproximadamente R$ 25,7 bilhões. O órgão informou que mais de 80% dos tributos devidos entre 2022 e 2024 não foram pagos e classificou a empresa como devedora contumaz.
A defesa de Castro reafirmou, em nota, que ele não cometeu atos ilícitos. Também negou participação nos crimes investigados pela PF: lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida e favorecimento a terceiros.
Castro deixou o governo em março, na véspera de ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ricardo Couto assumiu o cargo. Em maio, Castro foi alvo da operação Sem Refino, que investigou o uso da estrutura estadual para beneficiar a Refit.
O ex-governador também é investigado na operação Compliance Zero, sobre investimentos de R$ 3 bilhões de aposentados da Rioprevidência no Banco Master. Depois de desistir da candidatura ao Senado, o Partido Liberal indicou Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa, para disputar o governo do Rio.








