Astrônomos identificaram 145 fontes de raios X hipermoles em dez galáxias próximas ao examinar uma faixa de energia que costuma ser retirada das análises do Observatório Chandra. A maioria desses objetos não era conhecida antes do estudo, publicado na revista Nature Astronomy.
Os pesquisadores ainda não determinaram a natureza das fontes. Elas podem estar ligadas a anãs brancas, buracos negros e processos associados à origem de supernovas.
Uma faixa pouco explorada
Os registros foram feitos pelo Chandra entre 1999 e 2017. Os detectores do observatório apresentam limitações de calibração na região de menor energia do espectro, e por isso essa parte dos dados geralmente é descartada.
Jimmy Irwin, professor da Universidade do Alabama, começou a investigar os registros cerca de 12 anos atrás. Em vez de remover os sinais, ele decidiu analisá-los. “Por que não olhar?”, afirmou o pesquisador.
A equipe também reuniu o pós-graduando Mustafa Muhibullah e a astrofísica Rosanne Di Stefano. Na primeira etapa, foram examinadas seis galáxias, nas quais apareceram 84 fontes com emissão concentrada principalmente na faixa de baixa energia. A análise de outras quatro galáxias elevou o total para 145.
O grupo recebeu o nome de hipermoles. Astrônomos já conheciam as fontes chamadas de supermoles, mas os novos objetos apresentaram emissão concentrada na extremidade mais baixa da faixa observada. O termo descreve esse padrão de emissão, não uma característica geral de todos os objetos.
Possível relação com supernovas
Uma hipótese considera anãs brancas mais frias, núcleos remanescentes do colapso de determinadas estrelas. Ao se expandirem e esfriarem, elas poderiam emitir radiação no ultravioleta extremo e na faixa identificada pelo estudo.
A possibilidade pode ajudar a investigar as supernovas do Tipo 1a. Conforme o modelo citado pelos pesquisadores, uma anã branca acumularia matéria até ultrapassar determinado limite de massa. Em seguida, uma reação termonuclear descontrolada provocaria a explosão.
Essas supernovas têm características relativamente uniformes, e seu brilho é usado para medir distâncias no Universo. Por funcionarem como referências, são chamadas de velas padrão. Ainda assim, os astrônomos não encontram anãs brancas em quantidade suficiente para explicar todas as explosões observadas.
Uma população numerosa de anãs brancas frias e difíceis de detectar poderia preencher parte dessa lacuna. Para Di Stefano, essa foi uma das razões para se entusiasmar com a descoberta: “parecia que essa era uma classe de objetos que estava faltando”.
Outra possibilidade envolve buracos negros
Algumas das fontes podem pertencer a sistemas em que dois buracos negros orbitam uma terceira estrela. Nesse arranjo, a quantidade de matéria transferida pela estrela seria pequena. O material, porém, poderia se acumular ao redor dos buracos negros e formar um disco quente de detritos, cuja emissão ficaria concentrada no ultravioleta extremo e na faixa de menor energia observada.
Comprovar essa hipótese seria difícil. Um indício possível surgiria se os dois buracos negros se fundissem e uma explosão de raios gama aparecesse na mesma região do céu, segundo Galina Lipunova.
O estudo indica que registros antigos do Chandra podem revelar objetos que permaneceram despercebidos durante anos, mas a origem das 145 fontes continua sem definição.







