Milhões de sementes de tomate foram enviadas ao espaço em 1984 para um experimento que envolveu estudantes de escolas e universidades. A viagem deveria durar aproximadamente um ano, mas as sementes permaneceram em órbita por quase seis anos e só retornaram à Terra em 1990.
A experiência fazia parte do projeto SEEDS, sigla para Space Exposed Experiment Developed for Students, desenvolvido em parceria pela NASA, pelo Langley Research Center e pela George W. Park Seed Company. O objetivo era comparar o comportamento de sementes expostas ao ambiente espacial com o de amostras armazenadas na Terra.
Uma missão mais longa que o previsto
As sementes do tomate Rutgers foram escolhidas por pertencerem ao mesmo grupo genético. Um conjunto foi enviado ao espaço, enquanto outro permaneceu na Terra para servir como controle. Depois do retorno, os dois grupos seriam plantados em condições iguais, permitindo a comparação entre germinação, crescimento e produção de frutos.
O lançamento ocorreu em 7 de abril de 1984, a bordo do ônibus espacial Challenger, durante a missão STS-41-C. As sementes estavam no Long Duration Exposure Facility, conhecido como LDEF, plataforma criada para permanecer em órbita e receber diferentes experimentos.
A recuperação estava prevista para acontecer antes, mas o desastre do Challenger, em janeiro de 1986, interrompeu os voos dos ônibus espaciais americanos e mudou o calendário. O LDEF ficou em órbita por 69 meses, completou mais de 32 mil voltas ao redor da Terra e foi resgatado pelo Columbia, na missão STS-32, em janeiro de 1990.
As sementes não cresceram no espaço. Elas ficaram armazenadas em recipientes durante todo o período, submetidas às condições do ambiente orbital. Entre os fatores de interesse estavam a radiação cósmica, a radiação solar, a microgravidade, o armazenamento prolongado e as condições da órbita terrestre.
Participação de estudantes
Depois do retorno do LDEF, a NASA distribuiu aproximadamente 132 mil kits com sementes que haviam viajado no espaço e amostras equivalentes mantidas na Terra. Cerca de 3,3 milhões de estudantes participaram da atividade, de crianças em idade escolar a universitários.
Os kits foram enviados a escolas dos 50 estados americanos e a participantes de outros 30 países. Os estudantes plantaram os dois grupos e registraram dados como o tempo de germinação, a velocidade de crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Nos primeiros seis meses de testes, 73,8% das sementes expostas ao espaço germinaram, ante 70,3% das sementes mantidas na Terra. O primeiro grupo levou, em média, 8 dias para germinar; o controle demorou cerca de 8,3 dias. Algumas análises identificaram crescimento inicial ligeiramente mais rápido e alterações incomuns em poucos exemplares.
A comparação completa, porém, mostrou que o desempenho dos grupos ficou próximo. A diferença observada no início não se confirmou de forma consistente ao longo do desenvolvimento das plantas. O experimento permitiu que milhões de estudantes participassem de uma pesquisa sobre possíveis efeitos do ambiente espacial em organismos vivos.







