Domingo, 6 de setembro de 2026
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Exposição em São Paulo reúne a parceria de Claudia Andujar e George Love

Mostra na galeria Vermelho revisita a colaboração afetiva e artística dos fotógrafos e suas experiências com a linguagem da imagem.

Exposição em São Paulo reúne a parceria de Claudia Andujar e George Love

A exposição To Love, em cartaz na galeria Vermelho, reúne fotografias e documentos ligados à parceria entre Claudia Andujar e George Love, que foram casados e trabalharam juntos nas décadas de 1960 e 1970. Com curadoria de Eder Chiodetto, a mostra apresenta quase exclusivamente ampliações contemporâneas de grande formato feitas a partir dos arquivos dos dois artistas.

Andujar e Love se conheceram em Nova York, em torno da Association of Heliographers, cooperativa de fotógrafos que atuou brevemente na cidade em meados dos anos 1960. Depois de viajarem pela América do Sul, eles se estabeleceram em São Paulo em 1966 e se casaram no ano seguinte, em Nova York. A união durou até 1974.

A exposição explora a aproximação entre os métodos dos dois fotógrafos. Solarizações, exposições duplas e prolongadas, filmes infravermelhos e mudanças no processamento químico aparecem em diferentes conjuntos. Retratos de Andujar e Love ocupam uma das paredes de entrada, reforçando a troca entre autores, câmeras, olhares e procedimentos.

Fotografia documental e experimentação

Os dois colaboraram com a revista Realidade, da editora Abril. Em 1971, participaram da edição especial sobre a Amazônia. Em uma das viagens para a reportagem, Andujar conheceu os yanomami pela primeira vez, experiência que transformaria sua trajetória.

A parceria também se estendeu ao Masp. Andujar organizou cursos, dirigiu o laboratório e foi convidada a supervisionar o Departamento de Fotografia. Love ministrou um curso que apresentava a imagem fotográfica como “realidade em si”, aberta à reprodução, à transformação e a novas formas de apresentação.

Em fevereiro de 1971, Love coordenou no vão-livre e nos jardins do museu o happening audiovisual Som, Imagem e Luz, que reuniu cerca de mil pessoas. O evento combinou projeções, jogos de luz e uma trilha com gravações de cantos do povo indígena xikrin e de Jimi Hendrix. Os dois também organizaram exposições no Masp, entre elas Hileia Amazônica.

Parte da pesquisa amazônica foi reunida no fotolivro Amazônia, publicado pela Praxis em 1978, com projeto gráfico de Wesley Duke Lee. Imagens da publicação aparecem na sala principal do primeiro andar da Vermelho, em uma montagem que amplia o diálogo visual do livro.

O trabalho de Andujar com os yanomami é apresentado em conexão com sua pesquisa experimental. A série O Reahu, dedicada a rituais e representada por um díptico vermelho, ocupa lugar central. A mostra também levanta questões éticas sobre a representação de práticas espirituais e sobre a apropriação da cultura do outro.

No segundo andar, a série Ponta de Filme, de Love, leva a investigação fotográfica para perto da abstração. Filmes riscados, furados, velados ou mal processados formam campos de cor e transformam acidentes do processo em imagens.

A exposição marca ainda o início da representação do Arquivo George Love pela galeria, que mantém parceria com Andujar desde 2003. O compromisso da artista inclui destinar parte da renda obtida com a venda de obras sobre os yanomami a iniciativas voltadas a esse povo.

Texto produzido pela Redação Horizonte Leve com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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