Informações falsas sobre saúde podem aparecer em perfis que imitam médicos, usam a identidade visual de instituições ou prometem tratamentos sem embasamento científico. Para reduzir o risco de seguir uma recomendação enganosa, é importante verificar a origem, o formato e as evidências apresentadas na publicação.
Alexandre Padilha, ministro da Saúde, disse na segunda-feira (31) que o governo enfrenta a disseminação de informações falsas, principalmente sobre a eficácia de vacinas. Entre os conteúdos que preocupam especialistas estão vídeos feitos com inteligência artificial e recomendações de tratamentos milagrosos atribuídas a médicos fictícios.
Confira quem está falando
A primeira etapa é identificar o autor. Se a pessoa se apresenta como médica, procure o número de registro no CRM e, quando aplicável, no RQE. Essas informações são obrigatórias pelo menos desde 2023, após regulamentação do Conselho Federal de Medicina sobre publicidade e propaganda médica nas redes sociais. O nome do profissional também pode ser consultado no site do CFM.
Perfis anônimos ou sem informações claras exigem cautela. A recomendação é priorizar os canais oficiais da Anvisa, do Ministério da Saúde e de centros de pesquisa como a Fiocruz.
Observe imagens, voz e promessas
TikTok e YouTube passaram a incluir rótulos sobre o uso de inteligência artificial quando identificam metadados. O aviso pode não ser facilmente percebido, mas vale procurá-lo quando houver desconfiança.
Mesmo sem a identificação, alguns sinais podem denunciar um material artificial: dedos a mais ou a menos, olhar parado, pele sem textura natural, descompasso entre voz e movimento dos lábios, entonação repetitiva, movimentos pouco fluidos e erros em palavras ou objetos do cenário.
Também desconfie de títulos alarmistas, apelos ao medo e frases que criam urgência. Promessas de cura ou tratamento caseiro sem comprovação científica são outro alerta. A catarata, por exemplo, é tratável apenas com cirurgia. Conteúdos que recomendam abandonar medicamentos, vacinas ou tratamentos prescritos também devem ser questionados.
Verifique contexto e evidências
Nicole Sanchotene, doutora em comunicação pela UFRJ e coordenadora de pesquisa no NetLab, afirma que conteúdos falsos podem usar indevidamente nomes e identidades visuais da Anvisa, de jornalistas ou de médicos para parecer legítimos.
Antes de seguir uma orientação encontrada na internet, compare-a com as informações da OMS e do Ministério da Saúde, especialmente quando ela contradizer uma recomendação médica. Uma entrevista verdadeira, por exemplo, pode ser reapresentada fora do contexto ou estar desatualizada. Protocolos de segurança e eficácia passam por revisões, por isso é importante verificar a data do material e conversar com um médico de confiança em caso de dúvida.
Como denunciar
Também é possível pesquisar se a postagem já foi analisada por agências especializadas em notícias falsas, noticiada por órgãos de saúde ou registrada em sites como o Reclame Aqui, principalmente quando anuncia produtos.
O Ministério da Saúde orienta que conteúdos falsos sejam denunciados às plataformas pelos canais disponíveis. A pasta também mantém formulários próprios para receber denúncias ou pedidos de orientação sobre desinformação em saúde.








