O cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez, afirmou que o povo dos Estados Unidos deve liderar a reação ao que classificou como fascismo no país. Para o diplomata, o governo de Donald Trump representa o momento mais perigoso para Cuba e para o mundo desde o triunfo da Revolução Cubana, em 1959.
A declaração foi dada durante uma entrevista promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com participação de veículos de mídia independente. Pérez disse que o governo dos Estados Unidos retomou uma política expansionista e associou a ofensiva contra Cuba a esse cenário.
“Há um fascismo nos Estados Unidos. Eu não tenho dúvida, há um fascismo, um governo fascista nos Estados Unidos”, afirmou o cônsul. Segundo ele, a contenção desse processo não virá de uma reação externa, mas de uma mobilização interna. Pérez citou as manifestações “No Kings” como sinal de resistência e disse acreditar em uma derrota de Trump nas eleições de meio de mandato, em novembro.
O diplomata defendeu uma frente política ampla contra a extrema direita, com a participação de pessoas de diferentes posições ideológicas dispostas a combater o fascismo.
Pérez também considerou real a possibilidade de uma agressão militar contra Cuba. Ele afirmou que o governo cubano busca evitar um conflito e está disposto a conversar, mas ressaltou que soberania e independência não estão em negociação.
Cuba espera apoio na ONU
A Assembleia Geral das Nações Unidas deve discutir novamente a resolução apresentada por Cuba contra o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos. De acordo com Pérez, o debate ocorrerá nos dias 27 e 28 de outubro, com votação prevista para o dia 28.
O cônsul disse que Cuba espera apoio amplo da comunidade internacional e acusou o governo dos Estados Unidos de pressionar outros países para alterar o resultado da votação. Segundo Pérez, essa pressão ocorre há dois meses.
Ele também afirmou que as medidas americanas tentam aprofundar as dificuldades econômicas da ilha até provocar uma crise humanitária que possa ser usada como justificativa para uma intervenção.
Apagões e energia solar
Pérez relacionou a falta de petróleo aos apagões enfrentados pela população cubana. Em algumas localidades, os cortes chegam a 20 ou 22 horas, segundo o cônsul, que atribuiu a situação às restrições dos Estados Unidos à venda de combustível para Cuba.
O país precisa de aproximadamente 3.200 a 3.300 MW de eletricidade. A produção com petróleo extraído em território cubano garantiria entre 1.000 e 1.200 MW, conforme a estimativa apresentada por Pérez.
Como alternativa às importações, o governo cubano aposta na energia solar. Cerca de 600 MW de capacidade foram instalados entre 2025 e 2026, com participação chinesa no fornecimento de equipamentos. Pérez afirmou que a mudança da matriz energética está em andamento, mas ainda não atende à demanda do país.







