O bloqueio dos Estados Unidos provocou perdas de mais de US$ 8 bilhões para Cuba entre março de 2025 e fevereiro de 2026, segundo o relatório anual apresentado pelo governo cubano. Esse foi o maior prejuízo registrado em um único ano desde o início da política de restrições contra a ilha.
O documento foi apresentado nesta segunda-feira (7) pelo chanceler Bruno Rodríguez ao corpo diplomático credenciado em Cuba. O relatório é encaminhado anualmente ao secretário-geral das Nações Unidas e reúne os danos econômicos, comerciais e financeiros que Havana atribui às medidas adotadas por Washington.
Rodríguez afirmou que o valor é 7% superior ao registrado no período anterior, entre março de 2024 e fevereiro de 2025. Para o chanceler, os efeitos atingem áreas como alimentação, eletricidade, água, saúde, educação, transporte e as condições de vida das famílias.
“São crianças, não são números”, disse Rodríguez ao comentar os impactos sobre a saúde pública cubana.
Saúde e mortalidade infantil
O setor de saúde acumulou perdas estimadas em US$ 121,7 milhões durante o período analisado. De acordo com o relatório, as restrições ao acesso a mercados de insumos médicos e as dificuldades bancárias enfrentadas por fornecedores internacionais interromperam a disponibilidade de medicamentos essenciais.
O documento também relaciona a situação à inclusão de Cuba na lista dos Estados Unidos de países patrocinadores do terrorismo. Segundo o governo cubano, bancos e instituições financeiras internacionais passaram a recusar pagamentos da indústria farmacêutica BioCubaFarma, inclusive para a compra de matérias-primas usadas na fabricação de medicamentos.
A mortalidade infantil em Cuba passou de 4 para cada mil nascidos vivos, em 2018, para 9,9 em 2025. As autoridades cubanas afirmam que o indicador pode ser afetado pelas consequências da crise energética iniciada no final de janeiro.
Combustíveis e atividade econômica
O chanceler disse que os números do relatório ainda não incorporam totalmente os efeitos das medidas recentes dos Estados Unidos sobre o fornecimento de combustíveis. O período avaliado inclui apenas o primeiro mês após a medida adotada no final de janeiro e não considera a ampliação das sanções secundárias aplicada no início de maio.
Desde então, Cuba ficou impossibilitada de importar petróleo. O governo afirma que a situação afetou a vida cotidiana, a atividade industrial e a produção de alimentos. Apagões em larga escala e a escassez de combustível também atingiram a logística e o setor agroalimentar.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe revisou para baixo suas estimativas para Cuba e projeta contração de 10,3% do Produto Interno Bruto cubano.
O endurecimento das sanções secundárias contra empresas estrangeiras também teria provocado a saída de investimentos de áreas como turismo e mineração. O relatório cita a retirada de Meliá, Blue Diamond e Iberostar, além da mineradora canadense Sherritt International.
Votação na ONU
Os danos acumulados desde o início do bloqueio, há mais de seis décadas, chegam a 178,7 bilhões de dólares a preços correntes, 4,7% acima do valor informado no período anterior.
O relatório serve de base para a resolução que Cuba apresenta anualmente à Assembleia Geral da ONU para pedir o fim do bloqueio. A votação deste ano está prevista para 28 de outubro.
Rodríguez afirmou que o governo cubano continuará priorizando as necessidades urgentes da população, preservando suas políticas sociais e implementando reformas econômicas e sociais aprovadas pela Assembleia Nacional.







